VÍTIMA

  

No satélite do teu olhar

Reflexo que me cega,

Brisa doce é o teu respirar,

A razão diz não, o coração se entrega.

 

És grilhão da escravidão

Para prender-me, sempre pronto,

Me buscas em minha escuridão,

Me açoitas indefeso no tronco.

 

Em meus ombros esfolados

Debruça-te calada,

Sentes quão é pesado o fardo,

Por tais feridas és culpada.

 

Só, enxergaria melhor a claridade.

Só, não sofreria minha carne.

Só, não conheceria a felicidade.

Só, não seria vítima do teu charme.

 

Eduardo de Paula Barreto