VISTA PARA O MAR DO DESCASO

 

Abro a janela de manhã ao acordar,

Vejo uma cena deprimente,

Parece que é a vista para um lindo mar,

Mas tudo não passa de mais uma enchente.

 

Em vez de baleias, vejo grandes sofás,

Em vez de lindos peixes, apenas ratos,

Sem contar com os animais mortos a boiar

E utensílios de cozinha como panelas e pratos.

 

Para as crianças tudo é uma enorme alegria,

Até brincam nas águas que estão contaminadas.

Enquanto nas casas os seus pais gastam suas energias

Para tentar salvar as coisas que ainda não foram encharcadas.

 

Depois de várias horas o que resta é uma grande lameira,

Todos com enxadas e vassouras trabalham em mutirão.

Avaliam o desastre e tentam limpar toda a sujeira,

Agora sem nada, permanecem no lugar por falta de opção.

 

Então os políticos visitam a área prometendo solucionar o problema,

Passam os meses, voltam as chuvas e tudo acontece de novo como já aconteceu,

As autoridades dizem que se comovem com a cena,

Mas que..., ‘se a chuva veio lá do céu, então a culpa é somente de Deus’.

 

Eduardo de Paula Barreto