VIDA DE CLAUSTRO

 

Tire-me deste viaduto,

Pois minha miséria é do seu amor fruto,

Não suportarei nem mais um minuto,

Onde estão minhas lágrimas? Meus olhos estão enxutos.

 

Você que me guiou com sua batuta,

Vem, se aproxime, vê se me escuta,

Não me ame, pode me bater, me chuta,

Mas tanto sofrimento não mais me imputa.

 

Tenho lhe falado amiúde

Que confio em sua magnitude.

Faça uso de sua maior virtude,

Perdoa minhas vicissitudes.

 

Embrulha-me como bagagem,

Coloca-me em sua mala de viagem,

Leve-me para qualquer paragem,

Mas não me impeça de ver sua imagem.

 

Volte a ser a minha escultura,

As notas musicais de minha partitura,

Prometo trocar a noite pela clausura

Para nunca mais me distanciar de sua figura.

 

 Eduardo de Paula Barreto