VEGETAÇÃO 

 
Certa vez numa progressista cidade
Do interior de Minas Gerais
Ouviu-se por toda parte
Causando enorme alarde
Assustadores sons sobrenaturais.
 
Era só o Sol ir embora
Que ninguém ousava sair
Pois aquele que ia lá fora
Se arrependia sem demora
Quando os sons começava ouvir.
 
Eles eram tão agudos
Que faziam doer os ouvidos
Até mesmo dos surdos
Vencendo o silêncio absoluto
O que não era compreendido.
 
Num certo dia houve uma reunião
Para decidirem o que fazer
Formou-se então um mutirão
E homens com armas nas mãos
Esperaram anoitecer.
 
Assim que o Sol se retirou
Trocou-se a luz pela escuridão
O medo a todos tomou
E quase paralisou
As batidas de cada coração.
 
Sob o mais intenso terror
Os homens puderam testemunhar
Uma carruagem sem condutor
Sem cavalos, sem rodas e sem cor
Em alta velocidade passar.
 
Era dela que o som emanava
E penetrava fundo os ouvidos
De repente ela parou na estrada
E a porta abriu-se do nada
E surgiu um homem desconhecido.
 
Ele gritou e sua voz ecoou
Em toda a cidade mineira
O seu grito era grito de dor
E então logo explicou
O motivo de tal choradeira.
 
Sou o dono desta terra
Que por vocês foi invadida
Sou a dor da vegetação que por eras
Tem sido vítima das suas serras
E de sua ambição desmedida.
 
Sempre que houver planta morta
Pisada por pés humanos
Estarei batendo em sua porta
Como um grito de dor que exorta
Para que mudem os seus planos.
 
Ao ver surgir nova vegetação
Como abrigo para muitos ninhos
Não mais punirei a população
E ao invés do meu choro de lamentação
Vocês ouvirão o canto dos passarinhos.
 
Eduardo de Paula Barreto 
19/06/2008