UM TRAPO 
 
Em alguns momentos
É melhor represar o amor
Para no devido tempo
Soltá-lo aos quatro ventos
Para ele ressurgir avassalador.
 
O desejo deve ser dosado
Em quantidades racionais
Porque o querer exagerado
Quando em certa coisa é concentrado
Nos impede de ver as demais.
 
Mas o meu amor é pólvora de espingarda
E os seus lábios tão quentes são
Que quando minha boca é beijada
Pela sua boca molhada
Surge uma enorme explosão.
 
Tento amá-la sendo sensato
Para orgulhar-me por ser homem
Mas seus amores me deixaram fraco
Agora me sinto apenas um trapo
Porque pólvora e calor se consomem.
 
Eduardo de Paula Barreto
16/08/09