ÚLTIMA VALSA
Mingua na ponta da língua
A palavra que encontra a trava
Que brinca no olhar de quem ainda
Emocionada quer ouvir que é amada.
Se evapora e então vai embora
A falsa declaração que alça
Voo para fora do olhar que agora
Realça desprezar a valsa.
A mudez por sua vez
Se instala no meio da sala
E a nudez sonhada pelo Cortez
Rapaz que se cala fica clara.
O olhar da menina que sabe amar
Paralisa o rapaz que ruboriza
Tentar não tentam, param de dançar
Ambos pisam na ilusão que agoniza.
Eduardo de Paula Barreto
26/01/2012