TRISTE SURPRESA
Ela dançava ao som de um violão,
Rodopiando como bailarina
E eu ficava controlando a emoção,
Quase sem respiração.
Que encanto de menina!
Sabia ser sensual
Até nos movimentos da boca,
Despertava o desejo carnal
E eu quase passava mal.
Que encanto de garota!
Ao ouvi-la cantar como soprano
Sem nem uma desafinação sequer,
Me desesperei e subindo no piano
Gritei: Eu te amo, te amo, te amo.
Que encanto de mulher!
De repente ela parou de cantar,
Se aproximou e disse: Vem aqui.
Aí então eu pude reparar
A saliência no pescoço a saltar.
Que raiva! Era um travesti.
Eduardo de Paula Barreto