TRIBOS URBANAS
Vejo nas esquinas
Meninos e meninas
Rivais ou amigos
Que se reúnem
E com orgulho assumem
Que vivem em tribos.
Há os que sujam os muros
Protegidos pelo escuro
Como noturnos sabotadores
Que em busca de emoção
Desrespeitam a legislação
Estes são da tribo dos pichadores.
Há os que assistem
À vida com olhares tristes
Como navegantes sem remo
Se maquiam como zumbis
Na escuridão são seres sutis
Estes são da tribo dos emos.
Há outros um tanto obscuros
Que ficam perto de túmulos
E consideram ótimo
Passear pelos cemitérios
Sempre com caras de sérios
Estes são da tribo dos góticos.
Há os que têm mania
De dar vida à fantasia
Dos gibis que leem
São adultos que têm a esperança
De viver sendo sempre crianças
Estes são da tribo cosplay.
Há os que requebram a pélvis
E usam topete como o do Elvis
E têm que ter cabelo que brilhe
Adoram carros antigos
Curtem rock dos Beatles
Estes são da tribo rockabilly.
Há os que andam desengonçados
Com bermudas e bonés virados
E criticam a arte pop
Conversam num estranho dialeto
Se reúnem em verdadeiros guetos
Estes são da tribo hip hop.
Há os rebeldes sem causa
Que têm cabelos como caldas
E usam roupas extravagantes
Quando andam na multidão
Querem apenas chamar a atenção
Estes são da tribo dos punks.
Há muitas outras tribos
Criticadas pelos mais amadurecidos
Que consideram tais hábitos odiosos
Os quais com terno e gravata
Caminham entre as tribos citadas
Indo para a tribo dos religiosos.
Eduardo de Paula Barreto
10/07/2010