TRÊS BARRAS DE OURO

 

Um ancião moribundo e rico

Divulgou onde morava

Que havia decidido

Dar ao homem mais sabido

A fortuna em ouro que ele guardava.

 

Surgiram pessoas de longe

Trazendo malas largas

E entre elas um monge

Com um pequeno alforje

Com pão e água.

 

Então o ancião passou a dizer

Quais eram as diretrizes

Para aqueles que

Quisessem enriquecer

E tornarem-se felizes:

 

- Que cada um pegue quantas barras quiser

E siga até o alto do morro

Vocês terão que seguir a pé

E haja o que houver

Ninguém poderá prestar-lhes socorro.

 

Todos pularam sobre as barras

De ouro que reluziam

E encheram as suas malas

Até quase rasgá-las

E apressados partiram.

 

Apenas três barras restaram no terreno

E o monge as tomou sem precipitação

As acomodou no alforje pequeno

E saudando o ancião com um aceno

Iniciou a sua peregrinação.

 

Durante o percurso penoso

Viu caídos sobre as malas pesadas

Todos aqueles gananciosos

Que sucumbiram aos esforços

Por não conseguirem carregá-las.

 

No alto do morro diante do ancião

Ele mostrou o seu alforge de couro

Contendo as três barras, água e pão

Então o ancião estendendo-lhe a mão

Disse: - Agora é seu todo o meu ouro.

 

EDUARDO DE PAULA BARRETO