TRANSTORNO

 

Devo admitir que você

Tem estado presente em minha vida

Desde aquele momento em que

O seu olhar fez em mim florescer

A certeza de ter encontrado a minha metade perdida.

 

Também devo confessar

Que ao não vê-la por perto

Me pus a chorar

E também a me desesperar

Sentindo-me abandonado num deserto.

 

Muitas vezes me questionei

Sobre a vantagem de amar,

Se do amor tão pouco desfrutei

Por que foi que dele provei

Se era para um dia você me deixar?

 

Mas todo esse sofrimento

Não foi vivido em vão,

Pois acredito que chegará o momento

Em que trocarei o tormento

Pela alegria de tocar a sua mão.

 

Mas enquanto isso não acontece

Vou sonhando com você como consolo

E apesar das lágrimas que descem

Devido à saudade que me enlouquece

Reconheço que você é o meu bem-vindo transtorno.

 

Eduardo de Paula Barreto