TRANSPARÊNCIA
Levante-se homem
E olhe ao seu lado,
Por que tanto corre
Se um dia você morre
Mesmo contrariado?
Armazene sabedoria
Que é o bem que não se enterra,
Aprenda com as dores e alegrias,
Seja grato pelas noites e dias,
Tire proveito desta passagem na Terra.
Abrace o corpo do amigo,
Mas envolva a sua essência,
Talvez ele esteja contigo
No mundo onde seremos desprovidos
Desta carne de concupiscências.
Curve-se diante do Criador,
Mas não seja apenas um cordeiro,
Equilibre a justiça e o amor,
De dia seja o cajado do pastor
E à noite seja o seu candeeiro.
Não tire proveito da dor dos oprimidos
Nem manipule a sua fragilidade emocional,
Pois do homem que tem bons ouvidos
É esperado e requerido
Que se abstenha do mal.
Abster-se do mal é ser digno
E a dignidade não é medida pela eloqüência,
Mas por aquilo que traz em seu íntimo
E que surge como um rio límpido
Cujas águas seguem com total transparência.
Eduardo de Paula Barreto