TORRE

 

 

Onde está o meu autocontrole?

O que fizeram com a minha independência?

Agora me vejo pendurado numa torre

Planejando dar fim à minha existência.

 

Tudo começou com um esbarrão

Numa linda moça que caminhava,

Foi uma mútua e imediata paixão

À qual minha alma viu-se escravizada.

 

O tempo passou e eu firmemente acreditava

Que os dias me trariam de volta a costumeira liberdade.

Sabia que aquela não era a primeira vez que me apaixonava

E que minhas emoções seriam novamente minha propriedade.

 

Mas não sei bem o que aconteceu,

Ela passou a fazer parte de mim,

Com os dias o meu amor recrudesceu,

Embora escravo, confesso que não achei isso ruim.

 

Sentia falta de ter domínio sobre a situação,

Me vi de repente completamente dependente,

Me guiava pelo coração não mais pela razão,

Estava completamente entregue a um amor ardente.

 

Aí então ela ri me vendo em pé na beirada da cama,

Como se fosse uma torre a qual me livraria da escravidão.

Desisto desse flagelo e enquanto ela diz que me ama,

Agradeço a Deus por ter esbarrado nela na multidão.

 

Eduardo de Paula Barreto