TORRE
Onde está o meu autocontrole?
O que fizeram com a minha independência?
Agora me vejo pendurado numa torre
Planejando dar fim à minha existência.
Tudo começou com um esbarrão
Numa linda moça que caminhava,
Foi uma mútua e imediata paixão
À qual minha alma viu-se escravizada.
O tempo passou e eu firmemente acreditava
Que os dias me trariam de volta a costumeira liberdade.
Sabia que aquela não era a primeira vez que me apaixonava
E que minhas emoções seriam novamente minha propriedade.
Mas não sei bem o que aconteceu,
Ela passou a fazer parte de mim,
Com os dias o meu amor recrudesceu,
Embora escravo, confesso que não achei isso ruim.
Sentia falta de ter domínio sobre a situação,
Me vi de repente completamente dependente,
Me guiava pelo coração não mais pela razão,
Estava completamente entregue a um amor ardente.
Aí então ela ri me vendo em pé na beirada da cama,
Como se fosse uma torre a qual me livraria da escravidão.
Desisto desse flagelo e enquanto ela diz que me ama,
Agradeço a Deus por ter esbarrado nela na multidão.