TEMPORAIS
Tarde de verão
Arde com clarão
O Sol em majestade
Mas ao despedir-se
Faz as gotas unirem-se
As tornando tempestade.
A ventania sacode
A água fria que encobre
A luz que vem do alto
A temperatura cai
E das alturas sai
O Astro do grande palco.
Vai embora a chuva
E não demora as ruas
Se transformam em lagos
Logo escurece
Os povos fazem preces
Derrubando prantos largos.
As águas que dos olhos saem
São mágoas que rolando caem
Na imunda inundação
Que aos poucos cede
É quando se percebe
O tamanho da destruição.
O mesmo Sol que tudo viu
E que de noite partiu
Parece ter se arrependido
E assim surge imponente
Evaporando as águas inclementes
E aquecendo o povo sofrido.
Os rios são xingados
Por terem ousado
Invadir os quintais das casas
É quando o
Sol se inflama
E lá de cima reclama
Para que justiça se faça.
Vocês se queixam das águas
Que enchem suas vidas de mágoas
Impondo-lhes difíceis desafios
Mas lembrem-se que foram vocês
Que demonstrando insensatez
Construíram nos quintais dos rios.
Eduardo de Paula Barreto
24/01/2012