TÁTICA

 

Horas olhando para o teto,

Dias sem se concentrar,

Anos se sentindo como um objeto,

Uma vida que não se vê passar.

 

Talvez tivesse sido melhor

Não ter conhecido tal sentimento

O qual transforma o homem só

Num poço de sofrimento.

 

Desejaria ter sido independente,

Capaz de andar sozinho,

Mas o Universo friamente

Criou armadilhas pelo caminho.

 

O homem não deveria ser solitário,

Precisaria de uma parceira,

Formando um canteiro solidário,

Uma gigante sementeira.

 

Assim seguimos iludidos

De que o amor é um grande presente,

Talvez um dia estejamos convencidos

De que ele é uma tática de preservação eficiente.

 

Eduardo de Paula Barreto