TARDE
Clamo sozinho, inaudível,
Corro ansioso com saudade,
Me apresso, pois é preciso
Encontrar-te antes que seja tarde.
No meio das árvores do bosque
Afasto as folhagens verdes,
Peço aos pássaros que me mostrem
Onde tu te escondeste.
O rio que solene desce das encostas,
Me recebe em sua margem,
Mas entre as figuras que mostra
Não há o reflexo da tua imagem.
Então entro em agonia,
Chegou a tão temida hora,
A Lua me mostra que acabou o dia,
Porque o Sol já está indo embora.
Eduardo de Paula Barreto