TAPAS COM A BOCA
A áspera voz
E a presunção
Em cada um de nós
Produzem destruição.
São portas que se fecham,
São estradas que se encurtam,
São paredes que nos cercam,
São flores lindas que murcham.
As palavras são as chaves,
Os ouvidos, fechaduras,
São como as asas para as aves
E como para os cavalos, ferraduras.
O falar revela a alma,
Mostra qual é a intenção,
Em certos momentos abranda e acalma
Em outros nos joga na escuridão.
Às vezes gesticulamos e gritamos
Até ficar com a voz rouca,
Aprendemos assim que com as mãos falamos
E que também damos tapas com a boca.
Eduardo de Paula Barreto