SOTAQUE CAIPIRA 
 
No meu quintal
Tem um varal
Onde seco minhas roupas
Há também um milharal
Com espigas sem igual
Que me dão água na boca.
 
Tem uma casinha de cachorro
O qual uiva pedindo socorro
Durante a noite inteira
E quando vou chamar-lhe a atenção
Ele me derruba no chão
E transforma tudo em brincadeira.
 
Tem uma churrasqueira
Do lado de uma jabuticabeira
Onde a cada domingo
Meus pais chamam a vizinhança
Só pra encher a pança
E passar o dia se divertindo.
 
Nos momentos de alegria
Alguém em alcoólica euforia
Começa a dançar sem ritmo
Aí então tudo vira festa
E todos riem à beça
Do dançarino ridículo.
 
Nesta terra não vejo prédios
E muito menos sinto tédio
Por isso daqui ninguém me tira
Porque a cidade grande não me atrai
Eu gosto mesmo é de falar ‘uai’
E de ser chamado de caipira.
 
Eduardo de Paula Barreto
17/02/2009