SOLO AMIGO
Ah que saudade do ventre materno,
Das vozes embalando o meu sono,
Da proteção do mundo externo,
Da temperatura perfeita no verão e inverno
E do aconchego na primavera e no outono.
Das coisas que me lembro,
Das coisas que me esqueci,
Tudo tornou-se fermento
Que fez crescer por dentro
O caráter que adquiri.
A minha maior vitória
Surgiu no momento em que
Constatei que nas minhas memórias
Havia mais do que histórias,
Milhões de lições para eu aprender.
Marcado pelas experiências
Sigo pisando no solo amigo,
Piso com cautela e reverência,
Pois ao findar-se a minha existência
Ele me servirá de abrigo.
Eduardo de Paula Barreto