SOLITÁRIO TAMBOR

 

Cala em meu peito o sofrer,

Murmura e geme de desespero

No vazio da cama ao anoitecer,

Ah que saudade do seu cheiro!

 

Desliza no álbum de fotografias

A minha mão envolta em dor,

Me afogo em meus prantos de agonia,

Ah que saudade do seu calor!

 

Aguço os meus tristes ouvidos,

Fecho os olhos e me imagino com você a sós,

Mas ao ver que não está comigo,

Ah que saudade da sua voz!

 

Ao sentir as batidas do meu lânguido coração

Reconheço que ele é um solitário tambor

Que bate sem a regência das suas mãos,

Ah que saudade do seu amor!

 

Eduardo de Paula Barreto