SOL CRUEL

 

O balde suavemente desce

Até o fundo do poço,

A Deus do Céu agradece

Pela água o fraco moço.

 

Mesmo sem ser transparente

E com forte sabor de terra,

É recebida alegremente

Por aquele que sedento espera.

 

Pouca comida na panela,

Esperança chegando ao fim,

Cambaleando uma vaca magrela

Busca por fiapos de capim.

 

Por que será que o Sol

Insiste em ser tão cruel?

Não deveria ter dó

Já que vive lá no Céu?

 

Eduardo de Paula Barreto