SOFIA
Sofia produziu aumento da pressão nas veias
E tristeza no rosto dos pais.
Barriga grande, cara de lua cheia,
Gostaria de poder voltar atrás.
Havia apertado o ventre por meses,
Mas agora já estava sem ar.
Tinha deitado com o Pedro só duas vezes,
Sem-vergonhice suficiente para emprenhar.
O pai lhe perguntara com o semblante vermelho
Se ela imaginava o que acabara de fazer
E que ele agora não conseguiria mais olhar-se no espelho,
De tanta vergonha preferia morrer.
Ela até pensou em cometer um desatino
Tirando o motivo da briga de dentro de seu corpo.
Não importava se fosse menina ou menino,
Ela permanecia determinada a fazer uso do aborto.
Quando o pai soube do pecaminoso projeto,
Culpou-se por um possível assassinato.
Sofia aproveitando a oportunidade em tal gesto,
Perguntou se Pedro poderia viver em seu quarto.
Passaram-se os anos, o moleque já homem
Ao lado do solitário avô disse com carinho:
– Vovô, sei que foi o senhor que escolheu meu nome
E que me mostrou sempre o melhor caminho.
Sofia, agora gorda, ouvia com atenção
A demonstração de carinho entre avô e neto
E pensou calada acelerando o coração:
– Graças a Deus que eu não dei cabo do feto.
Eduardo de Paula Barreto