SOBERBA PRIVADA
Sob a pia os pés calçados,
Nos azulejos portugueses perfeita simetria.
No vaso um aristocrata pelado
Lê jornais enquanto se alivia.
No morro fora do barraco,
No chão só um buraco, não há pia.
O pobre se contorce agachado,
Espanta as baratas, hora da agonia.
Sob o viaduto alguém acha um canto,
Olha ao redor, privacidade não é preciso,
Nem o vento frio tira o encanto
Do prazer de fazer o serviço.
Algumas surgiram no nobre carrara,
Outras formaram no chão fétidas poças,
Misturadas com as do que sobre o buraco agachara,
Vão todas unidas para a mesmíssima fossa.
Eduardo de Paula Barreto