SINTONIA

 

O calor do abraço

Que envolve com vontade

Apaga o infinito traço

No qual escreveu-se ‘Saudade’.

 

O desejo quase louco

De entrar um no outro,

Sussurro já um tanto rouco

Fundindo dois seres num só corpo.

 

  O beijo que machuca

E deixa a boca doída,

Até a visão ofusca

Em meio às selvagens mordidas.

 

  De amor embriagado,

Inerte, o casal se deita

E dorme abraçado,

Simetria e sintonia perfeitas.

 

Eduardo de Paula Barreto