SILHUETA

  

Ao pé do ouvido

Se faz juras de amor.

Na menina dos olhos coloridos

Tem-se um abrigo acolhedor.

 

Nos seios da face

Evidente rubor

E por mais que disfarce

Não se esconde o tremor.

 

Na cova do queixo

Na qual não se planta flor,

Semeia-se grão de beijo

E se belisca sem causar dor.

 

  A boca do estômago

Que permanece calada,

Dá sorrisos afônicos

Quando é acariciada.

 

  A barriga da perna

Com o peito do pé

Tornam ainda mais bela

A silhueta da mulher.

 

Eduardo de Paula Barreto