SERVO INFIEL

 

A espada derruba

O bravo guerreiro

Que no chão trava a última luta,

Adiar o respirar derradeiro.

 

O algoz com um sorriso

Vê o impotente oponente

Caído, entregue, submisso

Implorando a chance de viver novamente.

 

Mas na total ausência de compaixão,

No furor de alma empobrecida,

O algoz crava a espada no coração

Esvaindo-se no oponente a sua vida.

 

Montado em seu cavalo

O herói volta à sua terra

E como rei é coroado,

Pois venceu a sangrenta guerra.

 

  Sentado em seu trono

Vê os anos irem embora

E já velho no indesejado abandono

Deixa a vida de aparentes vitórias.

 

  No outro lado do véu

Curva-se diante do Rei do Firmamento,

Que diz: — Levanta-te servo infiel,

Aquele que mataste conduzirá o teu julgamento.

 

Eduardo de Paula Barreto