SEM MANUAL

 

Fui jogado nesta inóspita Terra

Sem roupa, mapa, espada ou bornal

Não me importo em viver entre feras

O que me incomoda é não ter manual.

 

Quando aprendo a ser criança

Julgando-me inteligente

Foi-se embora a gostosa infância

E já sou adolescente.

 

Quando aprendo a ser mocinho

Com diplomas e bem-preparado

Vejo ao meu lado dois rostinhos

Minha mulher e meu filho abraçados.

 

Quando aprendo a ser adulto

Pensando poder fazer tudo o que quero

Ao abrir os olhos vejo só vultos

O tempo passou, já estou velho.

 

Quando aprendo o sentido da vida

E ela deixa de ser um mistério

Me vejo rodeado de margaridas

Me decompondo num cemitério.

 

Eduardo de Paula Barreto