SEMBLANTE DE GRATIDÃO 
 
Caminhando na terra batida
Reparo as formigas
Que seguem no chão
E aprendo com elas
Pois são tão belas
As casas que erguem em mutirão.
 
Me aproximo do João-de-barro
E sem assustá-lo
Admiro a sua casa
Construída com tanto esmero
Lar seguro, quente e belo
Descanso para as suas asas.
 
Vejo ainda uma borboleta
Que sai dando piruetas
Se exibindo para mim
Escondendo a agonia
Por saber que em poucos dias
Sua vida terá fim.
 
Então olhando para o lago
Vejo que no meu reflexo trago
Um semblante de gratidão
E no reflexo do céu
Por um minuto se abre o véu
E anjos me olham da imensidão.
 
Eduardo de Paula Barreto
19/11/2008