SEM AR

 

Apertado o coração se debate,

Parece querer abandonar o corpo,

Aflição que até a alma invade,

Ansiedade de náufrago ao ver o porto.

 

Raiva dos limites das pernas,

Cabeça jogada adiante,

Conclusão de que não se governa

O desejo de abraçar, tão paralisante.

 

O ar deixado para trás,

Amnésia repentina seguida de falta de palavras,

Um sorriso amarelo, fugaz,

O encontro de alguém por quem tanto esperara.

 

Num abraço demorado,

Sem graça, sentindo-se como um bobo,

Diz o desconsertado namorado:

— Nossa, como é bom vê-la de novo!

 

Eduardo de Paula Barreto