SEGUNDO OXIGÊNIO

 

Penso nele o tempo inteiro,

Tudo me faz lembrar,

Nem mesmo com a cabeça sobre o travesseiro

Consigo dele me livrar.

 

Ele se manifesta quando acendo a luz

E também no banho,

Me lembram dele no ônibus que me conduz,

Às vezes o perco, às vezes o ganho.

 

Na padaria perto do escritório

Ele aparece depois do café com pão.

Ele existe em quantidade no mundo ilusório,

Mas na realidade tenho muito pouco dele em minha mão.

 

Quando o tenho tudo muda,

Até minhas palavras adquirem maior valor,

Mas na sua ausência pareço pessoa muda,

Ninguém me ouve, me chamam de perdedor.

 

Infelizmente preciso reconhecer

Que não é apenas o oxigênio que me mantém inteiro

E para que eu realmente possa viver

Preciso dar um jeito de arrumar um bom dinheiro.

 

Eduardo de Paula Barreto