SE EU FOSSE UM PÁSSARO

 

As alegres aves urbanas

Que se acomodam nos fios,

Não sentem falta da grama

Nem muito menos dos rios.

 

Voam por sobre os espigões,

Das janelas fazem poleiros,

Das sarjetas fazem ribeirões

E das lixeiras fazem canteiros.

 

As buzinas inibem o canto,

A poluição altera sua cor e beleza,

Assim a vida perde o encanto

E se entristece também a natureza.

 

Se eu fosse um passarinho

Com o poder de voar,

Iria construir o meu ninho

Bem longe, em outro lugar.

 

Seria numa floresta verdejante

Com frutas maduras e árvores para me abrigar

E cantaria como nunca cantei antes,

Nunca mais de migalhas iria me alimentar.

 

Eduardo de Paula Barreto