SE EU FOSSE UM PÁSSARO
As alegres aves urbanas
Que se acomodam nos fios,
Não sentem falta da grama
Nem muito menos dos rios.
Voam por sobre os espigões,
Das janelas fazem poleiros,
Das sarjetas fazem ribeirões
E das lixeiras fazem canteiros.
As buzinas inibem o canto,
A poluição altera sua cor e beleza,
Assim a vida perde o encanto
E se entristece também a natureza.
Se eu fosse um passarinho
Com o poder de voar,
Iria construir o meu ninho
Bem longe, em outro lugar.
Seria numa floresta verdejante
Com frutas maduras e árvores para me abrigar
E cantaria como nunca cantei antes,
Nunca mais de migalhas iria me alimentar.