SACOLA VAZIA
Me apertam essas calças,
Nas ladeiras doem as pernas,
Na sacola de fracas alças
Carrego chuchu, salsa
E para o chá carrego ervas.
O chão molhado e a gritaria,
A velha que dos preços reclama,
Terrível cheiro na peixaria
E para a minha agonia
Escorrego numa casca de banana.
Para o alto voa a minha sacola
Espalhando as verduras por todo lado,
A velha, sem demora,
Enquanto sem dó me olha
Diz: — Achado não é roubado.
Enquanto sofro as minhas dores
Vejo a velha me roubando
Dizendo: — Ainda lhe faço favores,
Pois vim aqui apenas para comprar flores
E olha só o peso que estou carregando.
Assim que consigo me levantar
Vejo um monte de gente dando risada,
Dizendo: — Olha só quem está a lhe esperar.
E a velha olha para mim e começa a gritar:
— Seja cavalheiro e leve a minha sacola para casa.
Eduardo de Paula Barreto