SABOR INSÍPIDO

 

Ouço vozes caladas

Ricas em sons inaudíveis,

Vejo com as vistas fechadas

Imagens jamais vislumbradas

E totalmente invisíveis.

 

Sinto o sabor insípido

E o odor inodoro,

Tateio o espírito

E me sentindo ridículo,

Sem nenhuma emoção choro.

 

Volto de viagens não empreendidas,

Meu estômago digere alimentos nunca engolidos,

Galgo os degraus de escadas que não foram construídas,

Ilumino o meu quarto com velas jamais acendidas

Para ler livros que ainda não foram escritos.

 

  Assim sem me submeter às imposições externas,

Sigo explorando o que não me é apresentado,

Meu corpo caminha até onde suportam as pernas,

Mas a minha alma soberana governa

O mundo ilusório que por minha mente foi criado.

 

Eduardo de Paula Barreto