RUA DE TERRA
Eu corria na rua de terra
Me enchendo de cicatrizes,
O cabo de vassoura era
O cavalo que me levava à guerra,
Soldados mortos ou vivos, mas todos felizes.
Ela também era cenário
De disputas de futebol
E em cada gol contra o adversário,
No céu o torcedor mais solitário
Enviava palmas como raios de sol.
A rua também era passarela
Para as crianças vaidosas
Se exibirem sobre ela,
Meninos magrinhos, meninas magrelas
Mostrando as suas roupas novas.
Na simplicidade do casebre
A certeza de ser amado
E antes de dormir eu fazia uma prece
Pedindo a Deus que apenas me desse
Mais um dia ensolarado.
Eduardo de Paula Barreto