RIO
Tomei o seu amor como brasa,
Não pude segurá-lo com a mão,
O engoli e após sair fumaça
O abriguei em meu coração.
Passei a ver o mundo
De maneira diferente,
O meu olhar tornou-se profundo,
Tornei-me quase um vidente.
Passei a andar por sobre as nuvens
E a rir de piadas sem-graça,
A sentir-me forte, quase imune,
E adorar andar à toa na praça.
Passei a sentir calafrios
Ao ouvir o seu nome,
Agora sou o leito do rio
E você a água que me cobre.
Eduardo de Paula Barreto