RIBALTA

 
Há belezas escondidas
Que só podem ser vistas
Quando os olhos fechamos
Nas verdadeiras peças de teatro
Que acontecem em nossos quartos
Quando a escuridão abre os panos.
 
Estando solitários na platéia
Nos embrenhamos em odisséias
Tendo poderes sobrenaturais
Somos gente, somos bichos
Caímos em precipícios
E não morremos jamais.
 
Encontramos pessoas do outro mundo
Mergulhamos no mar, bem no fundo
E o ar não nos falta
Vemos cenas lindas, mas certas imagens
Nos fazem desejar que se apaguem
As luzes da ribalta.
 
Abrimos os olhos e confusos
Percebemos que tudo foi fruto
Da nossa mente sem obstáculos
E a realidade se misturando à ficção
Faz surgir em nossas mãos
Um bilhete para o próximo espetáculo.
 
Eduardo de Paula Barreto
20/02/2012