REDENÇÃO

 

Peito limitado pelos grilhões,

Mãos tocando o ar,

Lembranças em turbilhões,

Olhos que se recusam a fechar.

 

Abstinência alimentar,

Respiração ofegante,

Falta de brilho no olhar,

Retrato na mente constante.

 

Desinteresse pelo viver,

Esperança de que tudo mude,

Rendição ao sono que tudo vê

E cria imagens muitas vezes rudes.

 

O amanhã, esperada salvação,

Busca intensa, desesperada

E a única forma de obter-se redenção

É jogando-se nos braços da mulher amada.

 

Eduardo de Paula Barreto