REMORSOS
Agoniado saiu andando a esmo,
Cabeça baixa, procurando algo,
Não levava nada, mas carregava um peso,
Jogava a seta, mas não via o alvo.
As lembranças eram braços que empurravam,
Os remorsos cortavam como açoites,
Gritos longínquos com ecos o chamavam,
Tinha que caminhar de dia e também de noite.
Descalço feria seus pés,
Não lhe era permitido descansar,
Mesmo se molhando nos igarapés,
Sua sede não podia saciar.
O Sol se mostrava impiedoso,
O suor não queria compactuar,
Apressado abandonava o corpo
O qual começava a se desidratar.
No momento do mais profundo desespero,
Amargurado por cada singular recordação,
Humilhou-se e num ato agora sincero,
Procurou o ofendido e lhe pediu perdão.
Viu que um pássaro que no trajeto o acompanhou
Acreditando que de ser livre ele seria capaz,
Tomou seus remorsos e para longe os levou
E como pomba branca retornando lhe trouxe a esperada paz.
Eduardo de Paula Barreto