RELATO DOS ATOS DO RENATO

 

Ele nasceu com um talento nato

De produzir arte e artesanato,

Buscava raízes e galhos no meio do mato,

Onde às vezes pisava numa cobra, outras num rato.

 

Como gostava de bichos, levava o rato morto para o seu gato

Que comia muito, ficava preguiçoso, não brincava mais, se tornava chato.

Como gostava de escrever, saía às ruas em busca de algum fato,

Levava consigo uma câmera fotográfica para ver se tirava um bom retrato.

 

Se entrevistasse um mendigo tinha que fazer um trato:

— Você me responde as perguntas que eu lhe pago um belo prato.

Algumas histórias eram agradáveis, outras um verdadeiro desacato,

Como aquela do menino que morreu ao cair do muro do orfanato.

 

Esse era um artista que não se importava com o anonimato,

Não precisava subir no palco e protagonizar nenhum ato.

Era um homem muito simples com buracos no sapato,

Mas certa vez um mecenas o convidou para expor na cidade de Patos,

 

Ele levou poucas roupas, mas muitas fotos, obras, livros e viajou de jato.

Todos lá se emocionaram ao ouvirem o seu relato,

Que mostrava a história de um homem que não buscava o estrelato,

Homem que soube plantar uma semente e cuidar dela com fino trato

A qual se transformou em lindos frutos pelos quais ele é muito grato.

 

Mesmo agora tendo dinheiro e fama ele ainda é bem pacato,

Continua artista nato, buscando coisa no mato para fazer artesanato

E ainda brinca com seu gato e não parou de tirar retrato

E eu já ia quase me esquecendo de dizer que o seu nome é Renato.

 

Eduardo de Paula Barreto