RECÉM-NASCIDO
Estou aqui tão quentinho, me sinto protegido,
Não me preocupo com nada, nem com alimento,
De repente as entranhas se abrem, sou expelido
E assim se dá o meu nascimento.
Preciso manter o calor, alguém me envolve nos braços,
Agora tudo é tão claro e frio, sinto fome e então choro,
Surgem tecidos que me envolvem, pois cortaram aquele laço,
Quero voltar para aquele lugar quentinho, pois é lá que eu moro.
Não consigo falar, é tudo tão confuso, olho mas quase não vejo,
Me colocam de encontro a um lugar onde sugo e sai alimento,
Alguém me deixe comer, parem de ficar me dando beijos,
Não estão satisfeitos por terem me tirado lá de dentro?
Já enxergo melhor, esses paninhos mudam todo dia,
Ah que gostoso, lá vêm aqueles braços de novo me abraçar.
Por mim ficaria enrolado neles e nunca sairia,
Meus paninhos estão molhados, acho que ela vai trocar.
Que delícia ficar nessa água tão quentinha,
Tire essa coisa dos meus olhos, tá ardendo!
Passou, não, não me tire daqui, deixa mais um pouquinho,
Será que não dá pra botar esses paninhos sem ficar me mordendo?
Não estou mais bravo com ela por ter me tirado da barriga,
Agora entendi que ela é minha mamãe e que me adora
E que pra poder contar toda noite aquelas estórias compridas,
Ela precisava mesmo ter me trazido aqui pra fora.
Só tem uma coisa que eu não consigo entender,
Ela me protege tanto, quando chamo à noite ela vem sem demora,
Brinca comigo e cuida de mim até o amanhecer,
Por que quando estamos brincando ela olha pra mim e sorrindo chora?
Eduardo de Paula Barreto