RECEIO
Se sua voz me faz voltar
No momento em que me chama
É porque adoro testemunhar
Os coraçõezinhos pairando no ar
Toda vez que você diz que me ama.
Quando as nossas mãos se soltam
Sinto uma enorme dor no peito,
Mas sei que elas sempre voltam
E unidas a minha alma confortam
No calor do doce aperto.
Se recuso os seus beijos
Por sentir-me magoado,
Na verdade é porque desejo
Dar-lhe novos ensejos
Para ser muitas vezes beijado.
Quando digo que a odeio
E que quero que você morra,
Na verdade é porque receio
Não poder controlar os meus anseios
Diante de uma mulher tão sedutora.
Eduardo de Paula Barreto