REBOLADO

 
Lá vai a moça faceira
Descendo a ladeira
Rebolando com malícia
Segue toda arrumada
Saia curta, unhas pintadas
Querendo despertar cobiça.
 
Finge ofender-se
Ao ouvir por vezes
Elogios abusados
Que destacam a sua beleza
Dando-lhe títulos de nobreza
E adjetivos aqui censurados.
 
Olha para os interlocutores
E com ar de poucos amores
Fecha os olhos e empina o nariz
Então sai caminhando apressada
É quando toda a rapaziada
Não tem infarto por um triz.
 
Os que são mais atrevidos
Seguem a moça escondidos
E o desejo os consome
Mas quase morrem de decepção
Ao verem aquele avião
Entrar no banheiro dos homens.
 
Eduardo de Paula Barreto
24/11/2011