RAMO QUEBRADO

 

Ele caminhava, pés descalços,

Afastava o mato com as mãos.

Buracos e pedras, pequenos percalços,

Nada comparado à sua desilusão.

 

O Sol lhe queimava,

O suor escorria,

A sede quase matava,

A lembrança, uma agonia.

 

Cada galho quebrado, uma lição

De que nem tudo se recupera,

Pois os brotos que surgem, nova geração,

Serão novos galhos, mas jamais como eram.

 

Virou-se para trás,

Lembrou-se num instante

O motivo que lhe tirou a paz

O transformando num errante.

 

Uma certeza o acompanhava,

Estava sempre presente em seu coração.

Havia traído a mulher que o amava,

Tornando-se indigno de consideração.

 

O relacionamento era ramo quebrado,

Poderia até voltar a florescer,

Mas o motivo que o deixava amargurado:

O quanto do antigo amor voltaria a merecer?

 

Eduardo de Paula Barreto