RAMO QUEBRADO
Ele caminhava, pés descalços,
Afastava o mato com as mãos.
Buracos e pedras, pequenos percalços,
Nada comparado à sua desilusão.
O Sol lhe queimava,
O suor escorria,
A sede quase matava,
A lembrança, uma agonia.
Cada galho quebrado, uma lição
De que nem tudo se recupera,
Pois os brotos que surgem, nova geração,
Serão novos galhos, mas jamais como eram.
Virou-se para trás,
Lembrou-se num instante
O motivo que lhe tirou a paz
O transformando num errante.
Uma certeza o acompanhava,
Estava sempre presente em seu coração.
Havia traído a mulher que o amava,
Tornando-se indigno de consideração.
O relacionamento era ramo quebrado,
Poderia até voltar a florescer,
Mas o motivo que o deixava amargurado:
O quanto do antigo amor voltaria a merecer?