QUERIDA MARIA

 

Se me faltam os calçados

Eu não perco a fé,

Então sigo resignado,

Pois fui agraciado

Com dois saudáveis pés.

 

Se uso roupas pobres

Não me queixo de desconforto,

Pois o pano que me cobre,

Seja trapo ou tecido nobre,

Não supera a importância do corpo.

 

Se você me abandona

Me dá aula de independência

E surge ao meu redor uma redoma,

A solidão por mim se apaixona

E eu aprendo a conviver com a sua ausência.

 

Embora com ferido coração

Eu olhe sozinho através da janela,

Só venha acabar com a minha solidão

Se o afago de suas mãos

For melhor do que a companhia dela.

 

Venha ser-me companhia

Apenas se puder me oferecer

Paz de espírito e alegria,

Caso contrário, querida Maria,

É melhor nem aparecer.

 

Eduardo de Paula Barreto