QUARTO

 

Não sei se estou morto ou vivo,

Às vezes me confundo

Quando do Sol me privo

E me embrenho no meu mundo.

 

Enquanto muitos se divertem

Nas ruas e jardins,

Minhas mãos trêmulas fervem

Registrando o que emana de mim.

 

Vivo parte do que escrevo,

Anoto coisas que já testemunhei,

Mas muito do que descrevo

Simplesmente imaginei.

 

Não sei se é noite escura

Ou um ensolarado dia,

Tenho o quarto como clausura

E como liberdade a poesia.

 

Eduardo de Paula Barreto