PIUÍ, PIUÍ

 

Nos olhos um brilho,

Os pés grudados na soleira,

Lá vai o trem sobre os trilhos

E o rapaz se acomoda no banco de madeira.

 

Piui, piui, grita distante,

Deixa para trás a estação

E nela um homem com um semblante

Que não disfarça a emoção.

 

A cidade não mais oferece

Oportunidades para o rapaz

E a cada apito ele se enternece,

Mas não pode voltar atrás.

 

  Nas curvas continua buscando

Coragem para o novo desafio,

Se despede dos pássaros que o seguem cantando

E dos peixes que saltam nos rios.

 

Chega na grande cidade,

Se acomoda num pequeno hotel,

O tempo passa e ele descobre que na verdade

Vivia bem pertinho do céu.

 

Eduardo de Paula Barreto