PUERIL

 

É tão resplandecente quanto insensível,

Não entende o meu sofrimento?

Sinto-me como uma flor pisada, sem valor, desprezível,

Impedida de adornar os seus aposentos.

 

Cala-se, agora se cala e ri,

Escarnece da minha incapacidade.

Sabe que se eu a deixar ir

Me sufocarei em meus prantos de infelicidade.

 

Ria, ria de mim

Ao contar para todos que testemunham minhas dores

Que passei anos cultivando um jardim

Apenas para poder dar-lhe intocadas flores.

 

Queixa-se agora, diz que está cansada,

Reclama de dor no corpo por estar há horas sentada,

Mas sua dor é pequena, com um descanso será curada,

Enquanto a minha é sofrimento do peito, alma apaixonada.

 

Está bem, me afastarei por alguns instantes,

Mas prometa que amanhã me receberá sem receio,

Que seus abraços serão como se nunca os tivesse dado antes

E que me abrigará como criança entre seus seios.

 

Eduardo de Paula Barreto