PRÓPRIO VENENO

 

A água que banha as pedras

E que se retira para o mar

Ao céu como vapor se entrega

E caindo gentilmente rega

A planta que se faz brotar.

 

A planta que se estica

Como se o Sol chamasse o seu nome

Cumprindo a sua missão se dignifica

E torna a vida mais rica

Quando mata no homem a sua fome.

 

O homem aprende com cada lição

E então passa a ser pleno

Mas quando ignora a intuição

Inunda de fel o seu coração

E morre pelo seu próprio veneno.

 

O veneno que mata o homem

Tira o sentido da planta

Aí então o Sol dorme

E o vapor da água some

Pois sem o homem do que tudo isso adianta?

 

Eduardo de Paula Barreto