PRIMEIRO ABRIGO
 
As lembranças são vagas
Só me lembro que havia água
E que tudo era escuro
Eu não sentia fome
E ouvia vozes
Do outro lado do muro.
 
Tentavam me tocar
Para me acariciar
Mas o muro os impedia
E quando eu me movimentava
Lá fora sempre alguém pulava
Na mais profunda euforia.
 
Foram nove meses de conforto
Abrigado naquele corpo
Criando expectativas
E quando deixei tal ninho
Fui recebido com carinho
Para a segunda etapa da vida.
 
Eduardo de Paula Barreto
20/03/2010