PREFIRO

  

Prefiro andar a pé a ter carro velho,

Prefiro fazer um lanche a comer comida ruim,

Prefiro morrer no mar a jazer no cemitério,

Prefiro viver só a ter mulher não amada perto de mim.

 

Prefiro a chuva forte à persistente garoa,

Prefiro um abraço a milhões de cartas,

Prefiro o intenso trabalho a viver à toa,

Prefiro certezas pequenas à ilusões baratas.

 

Prefiro você à sua fotografia,

Prefiro o seu humor da noite ao do dia,

Prefiro o seu corpo inteiro a uma fatia,

Prefiro o seu gemido de amor a um de agonia.

 

Prefiro a dúvida a ter todas as explicações,

Prefiro a luta a receber tudo de mão-beijada,

Prefiro o coração à razão,

Prefiro errar a ser uma alma acovardada.

 

Eduardo de Paula Barreto