PORVIR

 

Tenho saudade de tudo o que não é presente,

Sonho muito menos do que consigo lembrar.

Acho sempre que o que vivi foi muito mais ardente

Do que qualquer ilusão que meu coração possa acalentar.

 

Os dias de outrora são pura constatação,

Não consigo pesar os meus momentos atuais

E quanto aos sonhos, deles abro mão,

Deixo o futuro incumbir-se de seus ideais.

 

Não sou dono do meu destino,

Nem mesmo dono de mim,

Se fosse jamais deixaria de ser menino

E não testemunharia tantas tristezas assim.

 

Tenho esperança de que mudar signifique evoluir,

Que estejamos sendo treinados

Para novas experiências que estão por vir,

Enquanto isso aguardo com coração quebrantado.

 

Eduardo de Paula Barreto